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O meu primeiro contato com a língua sórbia foi por volta do mês de maio de 2010, estando num casamento no norte da Chéquia. Na altura fomos almoçar à Alemanha, à cidade de Löbau. Ali vi um cartaz bilingue alemão-sórbio que anunciava um festival.

Cartaz bilingue sórbio-alemão

Não hesitei em tirar-lhe uma fotografía, como também fez a minha dona. Era todo um achado aquela língua de que tínhamos conhecimento, mas que nunca tinha visto ao natural. Logicamente recorremos à wikipédia para sabermos de onde saíra aquele idioma.

Enfim, depois de muito ter que planificar a viagem, pudemos ir até a cidade de Bautzen, a capital da Lusácia. Pertencera ao reino da Boémia, o qual quer dizer que de facto há só uns trinta quilómetros até a fronteira checa atual.

O sórbio está dividido em dúas variantes, o baixo e alto. É interessante discutir em base às semelhanças e diferenças com o checo e o polaco até que ponto se pode considerar que as duas variantes são um híbrido. Manias de linguista. Na realidade, basta ler o que há escrito pelas ruas para comprovar que é uma língua per se, sem complexos.

Chamou-me a atenção o enorme grau de estandardização do idioma. Já quereriam outras línguas com mais falantes estar tão bem e tão precisamente padronizadas. Infelizmente isto não se corresponde com a realidade dos falantes na própria cidade.  Porém, em muitos recantos e mesmo na cartazaria oficial, tudo está bilingue, por exemplo, os nomes das ruas que mantêm a sua denominção oficial sórbia.

Cartaz das ruas bilingue à beira do rio

Em todo o día, hei de dizer que só pude ‘falar’ com poucas pessoas: com a dona da livraria sórbia (veja-se a foto anexa da fachada da mesma) e com o moço responsável do Centro Cultural Sórbio; além disso, ouvi falar sórbio um par de famílias. A dona da livraria mostrou-nos as edições que fazem eles mesmos, que realmente são espetaculares. Há muita literatura infantil, e vê-se que é de qualidade. Explicou-nos que o sórbio pode ser estudado nas escolas -mas nem isso garante a sua pervivência, como é bem sabido, porém é uma condição sine qua non para poder continuar a ser uma língua viva.

Livraria sórbia em Budyšin/Bautzen

O sórbio logicamente é uma língua vencelhada ao checo e ao polaco. É, pois, bem curioso como naquele recanto onde se juntam as fronteiras alemã, polaca e checa coabitam quatro línguas (unamos às três línguas estatais o sórbio). Porém, esta língua maravilhosa está em processo de extinção. Nesta parte da Europa sempre olhamos para as nossas línguas românicas não estatais ameaçadas, mas outras línguas que não são românicas também morrem. Noutra ocasião tratarei de fazer uma reflexão sobre esta questão, que é muito complexa e requer congressos, mas, em qualquer caso, é evidente que há uma série de tendências globais que nos estão a conduzir para a extinção das línguas pequenas.

Uma coisa é clara. Cumprirá voltar. Faremo-lo algum dia não muito remoto. Dobry źeń!