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Em de maio 2010, depois da celebração do Dia das Letras Galegas em Madrid, compus este texto acerca da celebração que fizemos na altura. Reproduzo-o a seguir nomeadamente pela emoção que supôs aquele recital.

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No dia 19 de maio tivo lugar a apresentação de Marés nos pousos do café, um poemário coletivo do Grupo Bilbao, com motivo da celebração do Dia das Letras Galegas, no centro associado da UNED ‘Escuelas Pías’ de Madrid. Parece-me relevante fazer uma pequena reflexão arredor do que supôs a dita celebração, porque, a meu entender, foi uma importante viragem para a revitalização da presença da literatura de expressão galega em Madrid e, nomeadamente, do Grupo Bilbao como tal depois de bastante tempo em que a sua presença como coletivo em Madrid foi de quase inatividade.

Não podemos dizer que todos os participantes na obra fazem parte do Grupo Bilbao. Também não existe uma nómina fechada de quem são os autores que fazem parte deste coletivo. Mesmo a sua definição é algo complexa, devido a que a sua existência é já relativamente antiga e, portanto, fizeram parte dele pessoas que hoje nem moram em Madrid. Também não se pode identificar Grupo Bilbao e faladoiro do Café Comercial, pois que nem todas as pessoas que frequentam o faladoiro participam das atividades do Grupo (muitos deles não são mesmo escritores), nem todos os membros do Grupo frequentam o faladoiro, embora haja uma estreita relação entre o faladoiro e o Grupo Bilbao.

Mas tornando para o recital do dia 19, dizia que o tenho por uma data importante, porque havia muitos anos que, além de não ter recitado conjuntamente em Madrid, não se tinha publicado uma obra coletiva do Grupo. Carmen Mejía, com muito acerto, assinalava que o livro apresentado, Marés nos Pousos do Café, guarda uma estreita relação com a primeira obra coletiva do Grupo, Comercial, editada em formato caderno, em 1998. Entre ambos os livros há toda uma trajetória pessoal dos seus autores, muitos deles repetidos em ambos os livros, mas sempre uma visão universal da literatura galega feita desde Madrid.

Queremos pensar que o Grupo Bilbao vai ter um segundo momento de força e pulo. Agora conta, para além de com novos membros, com o apoio da UNED. Fala-se já de novos projetos para desenvolver, porque a literatura de expressão galega em Madrid, além de ser parte da tradição da capital espanhola, é uma janela aberta por que a literatura de expressão galega pode espalhar-se pelo mundo. No dia 19 contámos com uma presença nutrida de pessoas interessadas na literatura de expressão galega em Madrid. Veu a mesma vice-reitora de Extensão Universitária da UNED e tivemos conosco os nossos colegas da UCM a enrouparem ativamente, porque também eles estiveram ali bem presentes.

Faço desde aqui um chamado a todos os que quiserem participar nesta experiência. A literatura, e mais concretamente a poesia, é um bem universal que é capaz de ser arma de esperança.