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Há não muitos dias tive a ocasião de encontrar pela net uma página muito interessante sobre a língua corsa. O seu responsável é Jean Claude Casanova. O sítio em questão tem um nome muito sugerente: L’invito.

O seu autor faz três aclarações muito relevantes no início:

La Corse s’insère pleinement dans l’aire linguistique italo-romane. Cependant, cela n’implique pas que le corse soit proche de l’actuelle langue officielle italienne ; il se rapproche davantage en fait des dialectes italiens.

Le corse n’est pas de l’italien importé et transformé, mais une langue romane de l’aire italique (groupe italo-roman), avec une histoire et des caractéristiques propres, résultat d’une évolution historique.

La Corse se situe comme un intermédiaire entre le centre novateur de la Toscane et le coeur conservateur de la Sardaigne. La stratification linguistique qu’elle présente encore aujourd’hui prolonge celle du domaine linguistique italien tout entier.

As páginas descritivas são uma verdadeira maravilha. Estão escritas numa linguagem singela, mas não deixam de ser bem precisas. A descrição do idioma é feita desde a forma padrão da língua para depois especificar a forma dialetal, o qual, ameu ver, é tudo um acerto. O autor especificava-me numa mensagem recente que para uma pessoa costumada a ler em italiano, o corso é fácil de ler, mas que não ocorre assim com os dialectos falados. Contudo, é sempre de agradecer o bom trabalho de estandardização da língua que permite nem só aos próprios corsos usarem-na por escrito, mas também aos amantes das línguas não-estatais aproximarmo-nos delas.

Como não podia ser menos, o corso é uma língua seriamente ameaçada de desaparição. Parece que o que demorou milénios para se constituir pode desaparecer em questão de décadas. É bem triste.

Dialectos corsos (da wikipedia)

Quereria fazer um pequeno apontamento sobre algo relativo à estandardização do corso que, tal como aparece no sítio de l’Invito, é feito dum jeito rigoroso e correto. Porém, há uma questão que considero errada: refletir as vogais <o> e <e> átonas como <u> e <i>. Não há motivo para isso, e menos ainda numa língua que está submetida a regras muito precisas na pronúncia e que neste caso seria uma regra bem doada de aplicar:

todo <o> átono soa <u> e todo <e> átono soa <i>

Dessa maneira, não tem sentido escrever ucchjonu de occhju, podendo manter o <o> nas duas palavras, embora na primeira seja átono e soe /u/. Isto, nos cultismos é muito mais evidente: pruverbiu em vez de proverbiu, ou tiuria ou tioria no canto de teoria.

Porém, o máis importante é que esta língua sobreviva, como todas aquelas linguas pequenas que estão hoje ameaçadas de extinção. A morte duma língua tem un preço impagável.