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Os TeijõesA Lei de Uso e Promoção do Asturiano de 1998 estabelece que o falar da região Eo-Návia nas Astúrias é uma variante. Não diz se é uma variante do galego-português, do asturiano, do tupi-guarani ou do etrusco. Não o diz. Porém, o objetivo daquela lei era e é separar o galego daquela região do resto do galego, para o qual lhe dotava dum státus de “algo” diferente, independente do que se fala na outra beira do rio Eu.

Aqueles que gritam que os eonaviegos não falam galego caraterizam-se nomeadamente por dois critérios: os que poderiam gritar com a mesma alegria que em Jamaica não se fala inglês (é dizer, não fazem ideia do que dizem) ou têm considerações políticas. Não merece mais comentário.

Portanto, se o eonaviego é uma “variante” galego-portuguesa -e isto parece que é geralmente aceite-, isto significa que o eonaviego pertence a uma comunidade superior. O eonaviego foi castigado com uma sub-subnorma pela Academia Asturiana que o faz parecer aquele primo pobre que recebe as roupas da terceira mão quando já os buratos são irreparáveis, mas não há imaginação para vestir bem a criatura. Quero dizer com isto que a norma com que foi dotado o eonaviego para a sua escrita parece feita numa noite de esmorga sob os efeitos da vodca com coca-cola.

Embora esta sub-subnorma seja fraca, a do galego padrão, reconheçamo-lo, é um bocadinho mais decente. Mas a intenção é a mesma: criar uma subnorma dentro do galego-português. E aqui é onde também encontramos um grupo de pessoas pragmáticas que aceitaram essa norma para não criar uma guerra ortográfica que dane a língua, embora nunca perdessem a ideia de o galego-português ser uma só língua. Boa gente, ao meu humilde entender. O facto de não ocupar uma cadeira com cargo ajuda a manter essas ideias.

Damos agora um passo avante. O galego-português fora da Espanha tem uma norma internacional, conhecida como língua portuguesa. Bom, ninguém vai discutir a existência deste idioma, acho eu.

Gostaria de fazer uma revisão rápida do caminho seguido: existe uma língua internacional, o português, que admite a denominação histórica de galego-português. Essa língua internacional tem uma subnorma para uma das suas ramas, o galego, que se escreve à espanhola, embora continue a ser parte desse tronco comum. Existem aliás pequenas raminhas fora da Galiza onde se fala também galego-português e que, nalgum caso, têm sub-subnormas para a sua escrita. Porém, o conceito de galego-português é fora de discussão, com a aceitação de que tem uma norma internacional.

Pois bem, e aqui vem a questão: se eu quiser escrever um texto na variante galego-portuguesa das Astúrias, poderia usar roupagens de mendigo ou de príncipe para a escrever, poderia escrevê-la como um quási-analfabeto ou como um artista da palavra. Se eu quiser escrever essa variante galego-portuguesa das Astúrias, poderia querer usar a sua norma internacional e, portanto, escreveria como estou a escrever agora.

Mas se tal cousa acontecer, em muitos meios asturianos bem me diriam que não é possível porque a lei estabelece uma norma para a variante (errónea afirmação), porém o que tocaria ler entre-linhas é: não o farás porque não nos sai do c***** (=leia-se flauta ou gaita segundo se preferir).