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Com o professor B. Zavadil no café Slavia de Praga (2010)

Para mim é uma honra ter conhecido uma pessoa tão lhana e por sua vez tão impressionante como o professor Bohumil Zavadil. Ele mesmo gosta de traduzir o seu nome para românico e diz que ele é Teodoro, nome capicua porque pode ser também Doroteo (pelo menos em espanhol).

Conheci o professor Zavadil em 2003 durante o meu primeiro curso de Ibero-romanística na Universidade Carolina de Praga (onde, precisamente, também conheci a minha esposa checa). Lembro que numa das pausas ele me convidou a um café de máquina numa das entreplantas. E já foi lá onde comprovei com admiração os conhecimentos linguísticos do professor, homem erudito dos da antiga escola, dos ‘de verdade’, daqueles que sabem muito mas não se gabam de nada. Precisamente uma das coisas que mais admiro do professor é a sua imensa humanidade embrulhada em humildade.

É um prazer falar com ele. Primeiro porque o seu espanhol é perfeito; segundo porque ele é ele, e passar uma tarde com ele envolve tomar umas boas cervejas checas e comer bem. Ele adora o pato. Sempre que algum amigo ou colega vem ter com ele, o professor Zavadil convida-o a comer pato (bem regado de cervejas antes e depois, mas durante a janta, acompanhado porém de bons vinhos). É grande, é único, é cheio de humanidade por todos os poros da sua pele.

O Rudolfinum, vista frontal

Hoje mesmo tive a ocasião de almoçar com ele ao lado da faculdade de filologia, diante do Rudolfinum, tendo em frente o castelo de Praga, com toda a aba coberta de neve. Veio com presentes nas mão. Como sempre, porque ele nunca vem com as mãos vazias. Trazia-me os seus dois últimos filhos de papel: Baskičtina (=”Língua Basca”) e Mluvnice současné španělstiny (=”Gramática do espanhol contemporáneo”). São duas joias que apenas deixam entrever o talento deste catedrático de Romanística, erudito que fala por volta de vinte línguas e tem noções doutra vintena.

Um dos aspetos mais interessantes do trabalho docente e académico do professor Zavadil é precisamente o seu amor pelas línguas menores. Tanto é assim que desde há tempo anda a me encorajar a publicarmos uma série de gramáticas breves das línguas não-estatais românicas do sul: galego, asturiano, catalão e sardo (sem esquecer o basco, língua dos seus amores). E nessas estamos. Hoje, enquanto comíamos uns bifes deliciosos com batatas fritas, dávamos os últimos retoques à questão. Penso que será uma realidade em não muito tempo, a edição dessas gramáticas que para o professor Zavadil são parte do seu sono. Ele gosta imenso das línguas, de todas, mas tem debilidade pelas línguas menores. É engraçado o seu amor pelo basco que mal pode falá-lo com o seu cão -diz ele como brincadeira quando combinamos para tomar umas cervejas-, porque é o único que lhe presta atenção.

Sou muito afortunado por ter conhecido o Bohumil Zavadil. É para mim uma honra tê-lo como mestre, como colega e como amigo.

Děkuji, Bohumile, za tolik dobrých chvil. Všechny tvoje sny se stanou skutečností. Děkuji, příteli, ať to oslavime dobrým pivem. Na zdraví.