Em 2004 iniciei junto com o Rafa Yáñez e o Luis Luna um projeto editorial utópico e romântico. Chamámo-lo Alcálima, uma adatação do termo árabe alkallima que quer dizer “a palavra”.

Já nos anos anteriores, entre 1997 e 2003, viveu em Madrid uma outra coleção de poesia, predecesora desta, chamada O Roibén, de edições em cadernos. Tentou ser o órgão de expressão literário do chamado Grupo Bilbao. Foram publicados por voltas de vinte cadernos, com dúzias de autores, os mais deles residentes na altura em Madrid, que tiveram a opção de publicar poesia em galego desde Madrid.

Tal experiência ficou parada durante alguns anos, até que O Roibén teve continuidade em Alcálima, basicamente como coleção já em formato de livro, com o mesmo princípio de se tornar uma coleção poética, mas com algumas novidades importantes. Em primeiro lugar, favoreceram-se as edições bilingues ou multilingues, de forma que apareceram poemários como o meu Os ollos da terra / sos ogros de sa terra galego-sardo, ou Musica in segreto / Música en segredo da Chiara Perra, traduzido por Rafa Yáñez. Quisemos recuperar o tempo perdido e nessa primeira fase, entre 2004 e 2007 apareceram vários poemários, alguns dos quais foram óperas primas, mesmo nalgum caso de poetas que nem moram nem moraram em Madrid, e cujas relações com o Grupo Bilbao foram nulas. Ainda assim, o vínculo com o Grupo Bilbao existe sempre.

Como digo, Alcálima é sempre um projeto de ilusão. Não está concebido como uma editora (de facto a editora é El Taller del Poeta de Ponte-Vedra). Aos dias de hoje, Alcálima tem entre os seus objetivos:

– publicar poesia em galego-português

– servir de referente à edição poética galego-portuguesa desde Madrid

– favorecer os textos multilingues

– dar ao público boa poesia

Ontem mesmo, dentro do nosso objetivo de nos converter num referente cultural, foi criado um sítio desde o qual é possível comprar os livros. Parece uma estupidez, mas os nossos livros eram, até certo ponto, invisíveis. Já não o são. A coleção, até o de agora, compõe-se de dez volumes, mas estamos a trabalhar em mais, alguns deles traduções.

Na realidade, se olhámos para atrás, desde 1997 até 2011 correm catorze anos de edição poética desde Madrid. Muitas cousas mudaram, outras mantêm-se (soa tão estereotipado, mas é totalmente certo). Antes publicávamos cadernos, agora livros; antes publicávamos quase como amadores, agora as edições são profissionais. Porém, o bom gosto é sempre a nossa razão de ser, nesta língua, nesta cidade, neste tempo que nos tocou viver.Alcálima vive graças a muitas pessoas e provavelmente nesta segunda fase ainda aguardam muitas surpresas, todas boas.

E para aqueles que queiram adquirir algum dos livros, eis o endereço:

http://www.eltallerdelpoeta.com/alcalima.htm