Há uns dias tive a feliz ideia de revisar a caixa do correio-lixo. Lá encontrei uma mensagem dum grupo poético que diretamente me pedia 20 euros por me publicarem oito páginas de poemas num livro do que não davam qualquer indicação. O único que estava claro lá é que me pediam o dinheiro, que me diziam que para mim seria uma grande honra e, aliás, um número de conta bancária que era o que mais salientavam na mensagem.

Curioso, com a ajuda do motor de busca, procurei a associação que promovia aquele livro. Bom, apenas tinham um blogue. E no blogue havia duzias de fotos do último encontro poético organizado por aquelas simpáticas criaturas para um tipo de pessoas que vou qualificar de friquipoetas. Explico-me. No mundo há poetas e friquipoetas. Um friquipoeta é um ‘poeta fríqui’, ou “freak poet” se o preferem em inglês. Quem pensar que o friquismo não ia chegar à poesia, engana-se. Chegar chegou. Há fríquis de toda a casta, mas o friquipoeta é um subtipo que é mesmo engraçado. O friquipoeta é escritor de rípios.

Aliás, o friquipoeta é muito gregário, gosta de reunir-se com outros friquipoetas. Aturam-se os rípios mutuamente, aplaudem-se e dizem-se maravilhas com grande hipocrisia. Porém, a maioria dos friquipoetas têm algo em comum com muitos poetas: macro-egos. Sim, parece ser que o macro-ego gosta do verso (não faz mal se for bom ou ruim o verso em questão).

Bom, eu lamentei ter sido tomado por um friquipoeta. Senti-me insultado, vou reconhecê-lo. Vi que os promotores daquela iniciativa, além de serem eles próprios friquipoetas, eram muito inteligentes e sabiam como pegar no dinheiro a tanto infeliz.

Mas eu não sou desses. Por isso, muito corretamente respondi para aquela mensagem embora estivesse no correio-lixo e dixe-lhes: «Meus caros, penso que se enganam. Não sou eu quem tem que vos pagar vinte euros por ser publicado nesse vosso livro coletivo, mas são vócês que me têm que pagar cinquenta euros para eu vos ceder quatro páginas da minha poesia. Espero que não cometam este tipo de erros na próxima vez».

Como podem imaginar, não obtive resposta deles. Mágoa… Será talvez que porque não tenho macro-ego?