Capa do livro coletivo de microficção do Grupo Bilbao

No dia 17 de maio de 2011 voltámos a celebrar o Dia das Letras Galegas em Madrid. Neste ano, as celebrações do dito evento na capital espanhola foram muito mais numerosas do que noutros anos. Isto só pode ser tomado como um bom sintoma, algo que mostra o interesse que a literatura galega tem para além das suas fronteiras linguísticas.

Novamente o Grupo Bilbao esteve presente no ato organizado desde a UNED, que, por segundo ano consecutivo, fez o lançamento dum livro, mas nesta altura foi um livro de microficção, em vez de poesia, como é habitual. Porém, acho que o resultado foi ótimo.

O Grupo Bilbao é já parte da paisagem literária galega em Madrid. Para além da participação neste ato, também alguns dos seus membros leram poemas no dia anterior na Centro Galego de Madrid. Acho que se está a viver uma revitalização do Grupo Bilbao após um período de inércia, ou talvez de paragem técnica, o qual foi também possível graças à incorporação de novos valores, quase todos eles poetas, porque, por alguma estranha razão (seria interessante analisá-lo), quase todos os membros do Grupo Bilbao, tenham a idade que tiverem, são nomeadamente poetas. Contudo, a experiência da microficção foi bem acolhida.

Não é possível saber para onde é que se encaminha o Grupo Bilbao. É bem certo que na primeira década do século XXI teve uma coleção que foi a continuação dos cadernos poéticos d’O Roibén; estou a falar da coleção Alcálima, que deu ao prelo dez títulos, o último deles em 2010 com uma das últimas incorporações do Grupo Bilbao. A continuidade das coleções poéticas em livro tradicional é algo que fica no ar, mas lá está o que foi feito.

Cartaz da UNED para a celebração do Dia das Letras Galegas de 2011

Existe, porém, uma espécie de injustiça que o mundo literário galego continua a ter com a literatura galega em Madrid. É algo que se vem arrastando desde há anos: a sua negação. Ninguém pode negar que a história da literatura em galego passa por Madrid, desde Murguia e Rosalia de Castro, até o último homenageado Lois Pereiro, passando por tantos e tantos escritores vivos e mortos que enchem as páginas desta literatura. Sempre houve presença literária galega em Madrid e sempre existiram grupos literários, dos quais o último é o Grupo Bilbao, desde 1996. Porém, para além de dois escritores maduros e consagrados, desde a Galiza ignora-se quase completamente o Grupo Bilbao, e não creio que seja precisamente pelo exotismo do seu nome.

Acho, portanto, que é justo reivindicar essa parte da literatura galega feita desde Madrid, dinâmica, aberta, plural, inovadora, heterodoxa, livre e fascinante. A vantagem de fazer literatura galega desde Madrid é a liberdade absoluta, mas qual o preço? Quem visitar Madrid e frequentar um recital de poesia galega ficaria surpreendido de encontrar tantos não-galegos que vêm apenas para ouvir a lírica. Não é por acaso que exista uma cátedra de Estudos Galegos no Ateneu de Madrid onde também se lê poesia.

É injusto que se marginalize a literatura galega em Madrid desta forma. Mas nem só acontece com o mundo literário, também os jornais, ao se ocuparem dos eventos preparados, apenas citaram dois, dois de dez! Na Galiza nem se sabe o que se fez pelas Letras Galegas. É propositadamente ou é puro desinteresse? Ou ambas as coisas?

No entanto, aqui seguiremos. Há vontade de continuar a fazer literatura, nomeadamente muita poesia. Há projetos, há ideias, há alento, há necessidade mesmo. E é assim que acho, humildemente, que a literatura galega sem Madrid, seria uma literatura incompleta, coxa. Por isso, frente ao silêncio, haverá mais poesia.

Deixo aqui estes cinco poemas escritos na Semana das Letras Galegas tomados do meu blogue Alcálima, porque sim, porque a poesia é uma arma carregada de futuro, como dizia Gabriel Celaya.