Etiquetas

Nos dias 8 e 9 de março tenho participado num encontro sobre línguas não estatais e novas tecnologias (TICS) celebrado na Universidade de Aveiro. Como sempre que um acode a estes eventos, encontra-se com velhos amigos e conhece outros novos. É este um mundo pequeno de questões importantes, embora o que nós falamos sobre línguas não estatais costume ficar entre nós, infelizmente.

Na altura falávamos da net. É importante ter em atenção que a net dá voz a línguas que estão a perdê-la na rua. Esta é uma das coisas, se calhar, mais importante, que se recolheu nesse congresso. A partir daí, há uma ideia que se repetiu constantemente: quanto mais pequena é a língua (pelo seu número de falantes), maior relevância tem a sua presença na net. E é aí que algumas línguas com um número de falantes realmente baixo têm uma vitalidade na net que não têm na rua. É o divórcio entre a território real da língua e o território virtual.

Eis uma dicotomia interessante: algumas línguas têm todas as ferramentas virtuais e a sua presença na net é impressionante, mas ao mesmo tempo a sua presença na vida das pessoas é cada vez menos relevante. Como pode ser isso?, perguntávamo-nos. É difícil dar uma resposta a essa questão. Acho que a presença na net, bem como a possessão de uma literatura potentes, não são garantias para uma língua sobreviver, mas sim acho que a presença forte na net pode ter um papel muito importante. Aliás, é preciso que os modelos linguísticos empregados na net sejam bons.

A gratuidade da net permite a existência de jornais, bases de dados, dicionários, blogues, etc. Aliás, qualquer elemento que está na net é acessível desde qualquer ponto do planeta apenas como uma ligação para a internet. É verdade que isto não basta para manter viva uma língua, mas contribui para a sua conservação.

Eu na altura pensei em línguas como o asturiano, o mirandês ou inclusive o sardo, que têm uma presença na net considerável. No caso doutras línguas, como o catalão ou o galego, a sua presença, embora seja superior, não é proporcional ao seu número de falantes. Em muitos casos, os ativistas culturais deslocaram a sua atividade para a net, mas sempre fica a mesma pergunta no ar: como fazerem para tanta atividade ser visível pela povoação normal. Se calhar, isso é um motivo de reflexão para a próxima reunião.

A dias de hoje, qualquer ação que vise para a conservação e promoção de uma língua não estatal tem que contar com uma presença importante no mundo virtual. É capaz que algumas línguas fiquem mudas antes na rua do que na net, mas mesmo assim será uma maneira de as imortalizar. Porém, eu espero que isso não aconteça nunca. Entrementes, continuo a acreditar nos blogues como uma das ferramentas mais práticas que existem para normalizar as nossas línguas.