2012 foi novamente um ano para lembrar. A celebração do Dia das Letras Galegas em Madrid vai ficar na lembrança por muitos anos. Quem alguma vez pensou que os escritores do chamado Grupo Bilbao estavam para desaparecer errava.  E estes três dias intensos de celebrações demonstraram-no.

A cimeira de todos os atos foi, precisamente, o lançamento duma antologia com dez dos poetas que fizeram e fazem parte do Grupo e que tem como título Bilbao. Acho que é preciso recordar qual a razão deste nome. Foi devido a um dos poetas fundadores, Vicente Araguas, quem tomou o nome da Glorieta de Bilbao (Praça de Bilbao) em Madrid, que é onde está o célebre Café Comercial, lugar de encontros e tertúlias que foi onde se gerou o grupo de escritores.

O livro que aparece na imagem foi publicado pela editora de Madrid Amargord, com uma edição coordenada por Xavier Frias e Luis Luna (este segundo fez, aliás, o prólogo). O livro conta com poemas de dez dos membros do grupo, onde alguns ainda vivem em Madrid e outros já não (como é o caso de Viqui Veiguela que vive em Varsóvia ou Verónica Martínez Delgado que vive em Galiza). Há poetas de ontem e de hoje, gerações diferentes que têm desde sempre convivido horizontalmente. É uma obra recomendável para aqueles que queiram ter uma visão global do que se escreve em galego desde Madrid em questão de poesia. Lá estão Vicente Araguas, Manuel Pereira, Fermín Bouza, Xavier Frías, Luis Luna, Ana Cibeira, Rafael Yáñez, Begoña Regueiro, Viqui Veiguela e Verónica Martínez Delgado. Dez poetas, dez grandes poetas em galego e espanhol.

É preciso dizer que já se fez uma tentativa de publicar uma antologia com o nome de Bilbao há já dez anos, mas na altura não se conseguiu. Porém, agora, chegou o seu momento, precisamente para comemorar os quinze anos do seu nascimento. E é que, na sua história, houve momentos de subida e de descida, momentos de glória e momentos de esquecimento. Mas eis o Grupo Bilbao, vivo, ainda que por vezes atacado por uma parte da crítica galega que o vê, dá a impressão, como algo indigno.

O Grupo Bilbao teve alguns órgãos de expressão próprios, em coleções nomeadamente poéticas. Vai seguir assim. Há ideias, projetos, desejos e também realismo. Não se pode já ignorar o Grupo Bilbao que está a produzir obras literárias de qualidade, obras que passam a engrossar o elenco de uma das literaturas mais ricas do continente europeu. E é que a literatura galega é, felizmente, multipolar, onde Madrid faz, desde os começos da literatura galega contemporânea (leia-se Rosalia) parte do universo criativo da literatura de expressão galega.

Fiquem por aqui e observem, porque ainda vão descobrir muitas coisas boas.