As tendências atuais no ensino de línguas gostam da metodologia comunicativa. É uma boa coisa, eu não vou dizer que não, mas funcionam bem quando há um professor e os estudantes interagem com os colegas. A questão é diferente quando um tem que estudar uma língua sozinho em casa, possivelmente diante do computador, sem ninguém com quem partilhar essa língua.

Já disse nalguma outra ocasião que em Praga, nomeadamente nos alfarrábios, tenho encontrado pequenas joias para a auto-aprendizagem de línguas. Já eles nos anos sessenta, ainda durante o comunismo, inventaram o conceito de pro samouky, que vem sendo um sozinho, é dizer, que existiam francouzsky, anglicky, polsky… pro samouky que equivale a [apreender] francês, inglês, polaco… sozinho. A pedagogia daqueles livros era muito simples, tanto que ainda hoje se vendem, atualizados, e com MP3 para terem áudio.

Um desses livros, embora não fosse da coleção pro samouky, encontrei há poucos dias em Praga num dos melhores alfarrábios da capital checa, na rua Valentinská. Um par de anos antes encontrara outra versão desse mesmo livro, uma edição diferente, que está pensado para o auto-estudo do árabe egípcio. Pois é, um manual para o estudo do árabe dialetal egípcio do ano 1965. Nesse mesmo dia, encontrei outro livrito delicioso, este dos anos 90 e publicado na Universidade Carolina, para apreender árabe líbio. E realmente pode-se apreender com eles.

E por que conto tudo isto, para além da parte afetiva do assunto? Porque a metodologia destes livros serve e servirá para estudar línguas quando um o faz à distância, como é o caso de muitos dos meus estudantes. E é que desde há muito tempo estou a pensar em como oferecer aos estudantes um método simples que lhes permita apreender os fundamentos de uma língua. Sou ciente que não vão ter fluidez ao falar, que seguramente a sua pronúncia será deficiente enquanto não tenham contato com falantes nativos, mas sei decerto que existe um núcleo de conhecimento linguístico que depois serve para desenvolver as habilidades que ficam pouco desenvolvidas (particularmente falar, enquanto compreender já se pode graças aos arquivos de áudio). Portanto, das quatro habilidades básicas que se requerem para a aprendizagem de uma língua (falar, escrever, compreender e ler), apenas a primeira fica numa situação fraca.

E que é o que estes métodos pro samouky oferecem? Oferecem, como já disse acima, uma metodologia simples que se pode resumir assim:

  1. Frases contextualizadas e graduadas na língua original e traduzidas na própria língua. Por vezes incluem-se também textos graduados.
  2. Explicações gramaticais tambñem graduadas
  3. Repertórios léxicos
  4. Exercícios basicamente de tradução de frases

Pessoalmente vou experimentar com isso. Existe, aliás, a grande vantagem de poder trabalhar com textos e de adicionar arquivos de áudio lidos por um nativo. Os estudantes podem ler já quase desde o início na língua estrangeira. Eu próprio tenho estudado com estes métodos e funcionam, decerto que funcionam. Por acaso não é esta a metodologia de Assimil? Além disso, os conteúdos podem adaptar-se perfeitamente ao onipresente Quadro comum de referência europeu para o ensino das línguas

Um pormenor importante é adicionar algumas imagens para o texto ficar simpático e já têm o método preparado, do qual já os checos se aperceberam há muitos anos.