Etiquetas

, , ,

Entre 1998 e 2002 cumprimos um sono: publicámos cerca de 20 cadernos de poesia desde Madrid em galego cuja transcendência apenas hoje se começa a reconhecer. Aquela coleção foi batizada com o nome de O Roibén, palavra galega que faz referência ao crepúsculo.

Foi um projeto romântico, acho que esse é o adjetivo que melhor define o espírito da coleção. É preciso, aliás, reconhecer, que o formato humilde dos cadernos favoreceu a sua rápida edição e difusão. Além disso, nunca pretendemos fazer a concorrência a ninguém. Foi considerada uma coleção vinculada ao Grupo Bilbao, em que alguns autores deram os seus primeiros passos na sua carreira literária.

A coleção acabou em 2002, porém é preciso dizer que acabou só na sua primeira etapa, porque o romantismo voltou. Dez anos depois, O Roibén volta com os mesmos princípios e formato que tive na sua primeira fase. E se a gente se perguntar por que é que torna, podemos dar várias razões. Vamos exprimir aquelas digamos formais:

  1. A crise não pode ser uma escusa para paralisar a produção literária. Se calhar, trata-se de propor novos formatos económicos que permitam a edição de géneros minoritários como a poesia.
  2. Não mudaram as condições nas quais nasceu O Roibén, isto é, a falta de atenção que existe na Galiza pelo que em galego se faz em Madrid.
  3. O Grupo Bilbao está a ter mesmo uma segunda fase vital ativa.

Além disso, há outras razões menos formais, mas que para os que recuperamos este projeto têm o mesmo valor que as anteriores.

  1. Gostamos da poesia e queremos ter liberdade absoluta para publicar o que quisermos em galego (e português)
  2. Queremos relançar o espírito original d’O Roibén.
  3. Somos uns românticos, ou uns malucos, ou ambas as coisas, que gostamos da poesia e da língua galega.

Assim, seguiremos com as linhas que já existiam na primeira fase. Por um lado, promoveremos autores jovens que escrevem em galego desde Madrid, embora a idade não é uma condição para publicar; lançaremos autores galegos que escrevam em espanhol desde Madrid porque querem ver a sua obra publicada em galego; traduziremos obras desde outras línguas para tender pontes, portanto, recuperaremos as edições bilingues.

Estamos a trabalhar já no lançamento de vários poemários para a primeira fase. Não vou desvelar agora quais serão. Só quero dizer que este projeto vai para frente graças a duas pessoas que estão a trabalhar comigo: Rafael Yáñez, um dos melhores poetas galegos atuais, e Lidia López Miguel, quem faz o trabalho de disposição de página.

Fiquem perto, haverá novidades logo.