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GPHá pouco tempo escrevia no Facebook que há uma justificação que venho ouvindo em muitos atos onde se fala do galego ou da sua literatura, mas que também serve para o catalão em Valência, porque mudando o nome da língua, serve na mesma para aquelas terras por sofrerem uma situação idêntica de língua ameaçada.

Comentava, na altura, que há uma justificação que se repite em toda a parte e que vem sendo: «Eu quero-lhe bem ao galego, mas não o falo. Portanto, vou falar em castelhano». E por norma não se trata de uma pessoa alheia à cultura galega, mas de alguém que procede dela, no geral por motivos familiares, mas que defende, até veementemente, o galego, mas em castelhano. E quando um vai depois falar galego com essa pessoa, tem a sensação de estar fora de jogo, porque ela, e provavelmente vários em torno a ela, falam em espanhol, com o qual dás conta que o galego é apenas um apêndice folclórico.

Costumam acrescentar que não puderam apreender galego. E aí já o argumento é insultante, porque parece que o galego só o apreendem os radicais que o querem usar como arma política. Querem dar a sensação que o galego, ou se adquire no berce, ou já não se apreende (ou pelo menos não apreendem as pessoas normais, que amiúde são essas que também não apreendem inglês). Vista a situação, caberia perguntar-se para que serve abrir leitorados de galego pelo mundo. Há alguém que apreenda galego?

Também comentava no FB que perante essa situação, não sei o que é pior, se ouvir essas pessoas defender o galego em castelhano, falando de autores cuja língua de expressão foi a língua de Rosália como se conseguissem extrair deles tudo o sumo da expressão em galego, ou bem aqueles que se expressam em galego amável. Este galego amável de que já tenho falado mais vezes, é como um verniz que se dá ao castelhano para que pareça galego. Evidentemente a fonética é absolutamente espanhola (não é nem sequer esse galego urbano de que falam alguns). Vou pôr alguns exemplos, onde comparo a forma castelhana traduzida para galego amável e para galego-português (o importante aqui não é a grafia, mas a estrutura da língua e até o léxico):

1)
E: Espero que no fuera nada
GA: Espero que non fora nada
GP: Espero que não fosse nada

2)
E: En cuanto lo cambies, me lo dices
GA: En canto o cambies, dimo
GP: Assim /da que o mudes, di(z)-mo

3)
E: Buenos días, buenas tardes, buenas noches
GA: Bos días, boas tardes, boas noites
GP: Bom dia, boa tarde, boa noite

4)
E: Conviene que lo decidas ya
GA: Convén que o decidas xa
GP: Convém decidires já

5)
E: Lo hago sin verlo
GA: Fágoo sen velo
GP: Fago-o sem o ver

6)
E: Por supuesto
GA: Por suposto
GP: Certo / Claro

7)
E: No me gustan esos pantalones
GA: Non me gustan eses pantalóns
GP: Nom gosto dessas calças

Este galego poderia também ser chamado Googlalego, porque o Google Translator traduziria do espanhol mais ou menos assim. Como dizia antes, é uma mera capa de verniz aplicada ao espanhol. À vista de tal modelo linguístico, que tem de original o galego? Pouca cousa, certamente. Este googlalego que foge do português não está ciente que o seu achegamento para o espanhol é letal.

Infelizmente, qualquer uma das duas atitudes, a de querer bem ao galego mas não falá-lo porque é preciso apreendê-lo, e a de usar o googlalego são duas rotas seguras face a extinção desta língua maravilhosa que não é património de ninguém, mas é património da humanidade.